quarta-feira, 6 de abril de 2011

O QUE É UM MENINO




Entre a inocência da infância e a compostura da maturidade, há uma deliciosa criatura chamada menino.


Embora se apresentem em tamanhos, pesos e cores sortidas, todos os meninos tem o mesmo credo: aproveitar cada segundo de cada minuto de todas as horas de todos os dias e protestar ruidosamente (o barulho é sua única arma) quando seu ultimo minuto é decretado e os adultos os empacotam e os metem na cama.

Os meninos são encontrados em todas as partes: em cima de, embaixo de, dentro de, subindo em, balançando-se no, correndo em volta de, pulando para.

As mães os adoram, as meninas os odeiam, os irmãos e irmãs mais velhos os suportam, adultos os ignoram e o céu os protege.

Um menino é a verdade com um rosto sujo, a beleza com um corte no dedo, a sabedoria com um chiclete no cabelo ... Quando você está ocupado, um menino é uma conversa fiada, intrometido e amolante.

Quando você deseja que ele cause boa impressão, seu cérebro vira geléia ou ele se transforma em uma criatura empenhada em desmontar o mundo.

Um menino é hibrido: o apetite de um cavalo, a disposição de um engole-espadas, a energia de uma bomba atômica de bolso, a curiosidade de um gato, os pulmões de um ditador, a imaginação de Julio Verne, o entusiasmo de um bombeiro e, quando se mete a fazer alguma coisa é como se tivesse cinco polegares em cada mão.

Gosta de sorvetes, canivetes, serrotes e pedaços de pau (em seu habitat natural), bichos grandes, papai, sábados, domingos e feriados, mangueiras de água.

Não é partidário de catecismo, escolas, livros sem figuras, lições de música, colarinhos, barbeiros, meninas, agasalhos, adultos e “hora de dormir”.

Ninguém mais é capaz de meter num único bolso um canivete enferrujado, uma maça comida pela metade, um metro e meio de barbante, um saco de matéria plástica, três notas de dinheiro, um estilingue e um fragmento de “substancia ignorada”.

Um menino é uma criatura mágica: você pode mantê-lo fora do seu escritório, mas não pode expulsa-lo do seu coração.


Queira ou não, ele é seu captor, seu carcereiro, seu dono seu patrão – um sarapintado, um nanico, um pacote de encrencas.

Mas, quando chega à noite você chega em casa com suas esperanças e seus sonhos reduzidos em pedaços, ele possui a magia de solda-los num segundo pronunciando apenas: “Alô Mamãe!” ... Oi Pai!


Autor: Eliane Zimmermann

1 comentários:

Soraia Moraes disse...

Que texto mais lindo! delicado e ...apaixonante.
Parabéns!! já estou seguindo.
Soraia

24 de abril de 2011 21:05